Entrevista com André José Adler

Postado dia 05 de agosto de 2010 por Pedro Martinez

Na história recente e pequenina da bola oval nacional ainda não temos muitas aventuras ou pessoas marcantes, mas tem um homem que está assegurado neste posto: André José Adler.

Nasceu, para quem ainda não sabia, em Budapeste na Hungria, em 1944 em plena Segunda Guerra Mundial e veio para o Brasil em 1948 com apenas 3 anos de idade. Morou no Rio de Janeiro, onde também começou sua carreira na televisão. Participou do seu primeiro programa no canal 13, na época a TV Rio, em um programa de entrevistas com crianças.

Depois disso não saiu mais da televisão e já tem 50 anos de carreira completos. Foi eleito a revelação infantil das telinhas e até participou do programa de gastronomia ‘Cozinhando Por Esporte’. Como ator ele já participou do Sítio do Pica Pau Amarelo da TV Tupi, em que interpretava Pedrinho. Também foi autor de nove películas e inclusive diretor por duas vezes.

André José Adler com  os Crocodiles

Adler em ação na ESPN

Sua história com o Futebol Americano começou em 1992 quando ele foi convidado para fazer um teste em um canal por assinatura que começaria a transmitir para o Brasil em português. Fez o teste e foi aprovado. Narrou automobilismo, boxe e golfe. Até que um dia, Esteban Gonzáles, seu chefe na emissora informou a Adler que ele iria transmitir o Super Bowl XXVII em Pasadena. A partir daí começou sua jornada mesmo não entendendo muito da modalidade na época.

Trabalhou por 14 anos na ESPN, que em 2006 decidiu diminuir o orçamento destinado ao Brasil e com isso acabou deixando muitos fãs orfãos.

Além de ser um narrador bastante conhecido no Brasil, Adler organiza o conhecido Torneio Touchdown, uma espécie de ‘Brasileirão’ de Football.

O Campo Grande Gravediggers teve a honra de entrevistar esta lenda viva, acompanhem.

DIGGERS: Você lembra de algo da Hungria quando era criança? Como foi mudar repentinamente de país assim?

Adler: Eu sai da Hungria com 3 anos. Tenho apenas uns flashes de memória, tipo brincando na neve com minha mãe e meu irmão mais velho. Isto sempre ficou na minha cabeça porque só fui ver neve de novo 30 anos depois em Paris. Mudar de país foi uma coisa que só entendí mesmo porque de repente todo mundo que não era da minha família falava uma língua estranha…. o português!

DIGGERS: Você se lembra como foi sua primeira aparição na TV? E o que você cozinhou no programa “Cozinhando Por Esporte”? Nos dê a receita.

Adler: Não sei ao certo se a minha primeira aparição na TV foi num baile infantil de carnaval no Teatro Municipal onde a Aidée Miranda estava entrevistando crianças sobre as suas fantasias – a minha era de fuzileiro americano, e eu entrei na fila.

Ou pode ter sido num programa da TV Rio chamado “Nossos Filhos pensam assim” onde eles faziam perguntas sobre tudo para a garotada. Um colega de primário tinha ido e eu me inscreví para ir também. Não lembro das perguntas e nem das respostas, mas imagino que as minhas devem ter sido “originais” porque o auditório ria e me aplaudia. O cachê foi uma lata de Ovomaltine.

Já a minha primeira aparição trabalhando como ator foi em 28/1/1957, num
teleteatro bem dramático e eu era filho do Paulo Porto e da Ida Gomes – que na peça era cleptomaníaca, dirigido pelo Mauricio Sherman que me deu a oportunidade.

No programa “Cozinhando Por Esporte” eu levei um prato húngaro bem simples, mas delicioso: o Rakott krumpli, ou literalmnte “batatas colocadas”. Cozinha-se batatas e ovos. Num pirex untado de maneteiga coloca-se batatas cortadas em rodelas, uma camada de ovos cozidos fatiados, creme de leite (não aquele de latinha, mas  um fresco) , e pode-se colocar uma camada de presunto ou queijo – o original húngaro é com uma camada de linguiça em rodelas; a de lá é fantástica, depois mais um pouco de manteiga, e uma camada final da batata em rodelas. Mais creme de leite, e por cima de tudo farinha de rosca.

Leva-se ao forno por 20 minutos mais ou menos. Fica uma delícia e quebra um belo galho. Mais fácil de fazer só miojo!

André José Adler na ESPN

Chega de entrevistar, Adler! Agora é sua vez de responder

DIGGERS: O teste para se tornar um narrador foi muito difícil? Conte-nos como foi. Como começou a narrar Futebol Americano?

Adler: O teste para mim foi bem fácil. Assisti um video de highlights de futebol alemão, fiz minhas anotações e gravei ao lado de um ex-jogador português fazendo comentários.  Como ele não acreditou quando eu dei a dica que para o Brasil chamar o time de “equipa” e o goleiro de “guarda –redes” seria comédia, eu passei e ele não.

Comecei a narrar futebol americano meio que forçado pelo meu chefe que não queria que eu ficasse só na tranquilidade do golfe e disse que eu iria para o Super Bowl na Califórnia, junto com o Ivan Zimmermann. Ele disse que eu ia acabar gostando. Tinha razão!

DIGGERS: Quem te ajudou a entender bem de futebol americano? Você torçe para algum time da NFL?

Adler: Benny Ricardo, um paraguaio que foi kicker do Buffalo Bills, Detroit Lions, New Orleans Saints, e Minnesota Vikings me ensinou o básico da mecânica do jogo, e o Alvaro Martin, que narra a NFL em espanhol, sempre me tirava dúvidas, além de ter sido o maior incentiivador do que eu mesmo tive para a prática do futebol americano no Brasil no íncio dos anos 90.

Apenas no ano passado que abri o jogo e declarei que torço pelo San Francisco 49ers. Alguns suspeitavam, pois meus cachorros se chamam Joe Montana e Jerry Rice.

Mas na verdade eu gosto mais da NFL do que de qualquer time. Gosto mais do esporte e do público do que de qualquer time. Nunca fui um narrador torcedor no ar.

DIGGERS: O que a bola oval representa na sua vida?

Adler: Mais do que eu jamais poderia imaginar. A própria expressão “bola oval” ser hoje popular já me gratifica pois um dia eu decidi alternar “futebol americano” por “bola oval” nas transmissões. Martelei bastante essa expressão também quando fazia um segmento para o Bate Bola da ESPN Brasil e o chamei Bola Oval.

Ela significa simbólicamente que a única bola que tem que ser redonda apenas é o nosso planeta. Isto filosóficamente e viajando um pouco.

Mas o que me gratifica é ver que tem muita gente que não leva jeito pra chutar uma bola, ou mesmo fazer cesta com ela e hoje pode participar de um esporte de equipe independentemente do seu biotipo. Pena que ela não rolava no Brasil quando eu era garoto e desajeitado no futebol.

Agora todo mundo pode brincar de mais um esporte por aqui e se enturmar com os amigos.

Torneio Touchdown 2009

Edição 2009 do TT

DIGGERS: O Torneio Touchdown é o seu grande evento da modalidade no Brasil. Conta um pouco da história do Torneio para a gente, quem foi o primeiro campeão e quem são seus parceiros.

Adler: Quando estive no Brasil em outubro de 2008 e narrei o histórico primeiro jogo equipado entre o Curitiba Brown Spiders e o Barigui Crocodiles, propus numa reunião, com um grupo de líderes de times, incluindo ainda o Miguel Lopes e o Rodrigo Hermida da AFAB, que assim que possivel se fizesse um torneio que não interferisse com os calendários já existentes, e que se chamasse Torneio Touchdown. Eu havia produzido e apresentado um programa chamado “Touchdown” com compactos de  jogos da MAFL, a liga húngara em 2007 e naquela mesma temporada de 2008.

Após voltar para Budapeste, o Flavio “Skin” Cardia e o Mario Lewandowski começaram a conversar entre si e esquematizar um campeonato. Me escreveram e queriam me homenagear chamando de Taça Adler II – assim já haviam chamado em outubro o primeiro jogo de tackle de São Paulo no Ibirapuera, e o Orlando Ferrreira já havia e homenageado com um troféu com o meu nome em 2006.

Então, quando vim de mudança em Março do ano passado o Mário me convidou para ser o Conselheiro do Grupo Gestor e eu fui.  O Rio de Janeiro Imperadores – hoje Fluminense, foi o primeiro campeão.

Eles, e os outros times que partciparam do TT 2009 decidiram fundar uma liga com novos conceitos, a LBFA.

E eu, motivado com a experiencia de 2009, convidei novos times para participar de um novo Torneio Touchdown, esperando dar a novos times as mesmas oportunidades e custos razoáveis que os 8 de 2009 tiveram.

Então os meus parceiros são os times que aceitaram o meu convite para o TT 2010:  Jaraguá Breakers, Curitiba Hurricanes,  Ponta Grossa Phantoms, São Paulo Spartans, São José Istepôs,  Tritões-Cavaliers, e Rio de Janeiro Patriotas. Estamos todos muito animados.

DIGGERS: O que você espera do futuro no Futebol Americano no Brasil?

Adler: Mais gente se divertindo com a bola oval em todos os níveis possiveis. É  um esporte que promete muito.

DIGGERS: Agora a palavra é sua. Deixe-nos um recado, desabafe, conte-nos uma história…o que quiser fazer. E muito obrigado pela entrevista.

Adler: A história é a seguinte: Victor, o carteiro, vive no interior do Rio
Grande do Sul e tem por hábito violar a correspondência de seus moradores. Um dia, para sua surpresa, cai em sua própria armadilha. Apaixona-se por Marli, nova moradora da cidade e passa a controlar suas cartas com o namorado, interferindo diretamente nesta relação.

Só que esta história não é minha, mas do meu grande amigo Reginaldo Faria que dirigiu  há pouco o filme “O Carteiro” no qual eu faço o papel do chefe do correio.

O recado é: Remar contra a maré as vezes dá certo se é por uma boa causa e você o faz de todo coração.

E o desabafo é o seguinte: Fiquei tão entretido com suas perguntas que não
almoçei, estou morto de fome e nem fiz Rakott krumpli!

9 Comments For This Post

  1. Kuca Moraes Says:

    Que demais!
    Parabéns pela entrevista Pedrão. E obrigado Adler pela atenção.

    Go, Diggers!

  2. Gabriele Says:

    Muito bom!
    Ótima entrevista, parabéns Pedro.

  3. Alexis Mefano Says:

    Excelente entrevista! Conseguiram extrair um texto bem legal do meu amigão Adler! E viva o FA no Brasil!

  4. JVAZ WR#87 Says:

    Excelente!! isso realmente foi MUITO doido!

    Parabéns Diggers…..

  5. Marcelo Batch Says:

    Mais uma vez Parabens pelo trabalho que tem sido feito no site!!!!
    Otima entrevista e Que esta motivação continue não soh no site mas pra o time inteiro!!!!!!!!!!

  6. Filipe 72 Says:

    É.. já tive o praze de jogar alguns jogos com ele narrando!!! Bom demais!!! emoçao total!!!

  7. Geraldo Says:

    bela entrevista, pena que no jogo em cuiaba muitos do time nem o conheciam, acho que apenas dois ou tres tiverem o prazer de tirar uma foto ao lado dele, abracos a todos!

  8. Pedro Martinez Says:

    Adler é demais!

  9. BIO Says:

    grande adler, dando chance a todos no esporte, com a segunda divisao do esporte no pais! parabens! nao desista nunca!

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